CURIOSIDADES

Anel de tucum, uma identidade

Outro ataque da turma da Aliança Luterana foi contra quem usa anel de tucum, sem saberem o significado. Agradeço ao estimado professor Roberto Zwetsch por publicar um texto sobre seu significado. Faço parte da “irmandade do anel de tucum” há décadas e tenho muito orgulho disso!

As fotos que anexo, são de pessoas que se identificaram espontaneamente com o símbolo após o ataque (sempre anônimo!) da Aliança maldita. Meu coração vibra com cada foto que vocês anexarem aqui, com o anel de tucum no dedo! #AnelDeTucum

FINALMENTE, RECONHECIDOS!

Circulou nas redes sociais outro dia uma chamada em que pessoas anônimas mencionam a “turma do anel de tucum”. Junto vieram algumas inverdades e até acusações.

Nós, que usamos o anel de tucum – e nos orgulhamos disso –, ficamos perplexos num primeiro momento. Mas à medida que íamos nos comunicando Brasil afora começamos a dar boas gargalhadas. Pois quem sabe o efeito esperado de quem jogou o tema nas redes foi invertido.

É que, de repente, as pessoas que se usam esse símbolo passaram a se comunicar e a espalhar a notícia como sendo – finalmente – um motivo de reconhecimento.

As pessoas começaram a enviar umas às outras fotos de suas mãos ornadas com o tal anel. E pessoas que nem se conheciam de sul a norte do país passaram a se unir numa rede – a Rede do Anel de Tucum.

Isto aconteceu de forma espontânea, sem programação, como se fosse um sopro do Espírito, um alento em meio a tanta dor e tristeza que hoje sentimos neste país em verdadeiro estado de luto.

A turma do anel de tucum se mostrou atenta, ativa, firme nos propósitos e nas causas que ele representa.

Este anel é feito por mãos habilidosas de indígenas, mais mulheres que homens, e vem normalmente de comunidades da Amazônia. Já aí temos um motivo importante para usá-lo: a defesa da causa da Amazônia, dos seus povos, fauna e flora. Mas ele se tornou símbolo mais amplo.

Se a origem de seu uso veio das lutas indígenas, nos anos de 1980 transcendeu este campo e ganhou espaço nobre junto às CEBs, comunidades eclesiais de base, que o adotaram como sinal de manifestação da fé e do compromisso com o evangelho libertador de Jesus de Nazaré.

Depois, o símbolo extravasou e ganhou diversos movimentos sociais que lutam pelas causas populares: movimentos de mulheres, de moradores de rua, de crianças e adolescentes, de pessoas idosas e pessoas com deficiência, de quilombolas e comunidades tradicionais. Foi algo espantoso e sem controle.

Hoje o símbolo transita em toda a América Latina e o mais bonito é que ele faz pessoas se comunicarem mesmo sem conhecimento prévio. Ele fala por si como ocorre com um símbolo verdadeiro. Talvez se possa compará-lo com o símbolo do peixe, que identificou clandestinamente as comunidades cristãs primitivas durante os dois primeiros séculos, em tempo de perseguição feroz e martírio perpetrados pelos agentes do Império Romano.

Onde as pessoas identificavam o peixinho, seja na porta das casas, seja tatuado no braço, estavam seguras: é gente irmã, podemos comungar juntos. Como a palavra em grego é composta por letras (IXTUS) que traduzidas significam Jesus Cristo de Deus Filho, Salvador, o símbolo se tornou o acróstico da comunidade cristã onde quer que ela se reunisse. Este fato nos serve de ânimo e esperança.

Consolida o que se poderia chamar – talvez – de uma irmandade de vida e de luta. Pois o anel nos vincula uns com os outros, umas com as outras em torno das causas das pessoas mais vulneráveis, daquelas precisamente com as quais hoje Jesus se identifica (Mateus 25.31ss).

Se a gente pudesse, então, atualizar o início do Sermão do Monte de Jesus (Mateus 5), quem sabe podemos dizer:

Felizes vocês, turma do anel de tucum, porque humildemente assumem a causa do reino;

Felizes porque choram com as pessoas que choram;

Felizes porque se solidarizam com a luta pela terra para quem nela trabalha e produz alimentos saudáveis;

Felizes vocês que tem sede e fome de justiça, que, limpos de coração, se tornam construtores da paz;

Felizes até mesmo quando por causa de Jesus e do evangelho vocês forem injuriados, perseguidos, caluniados. Ainda que sofram, vocês serão felizes porque estarão vivendo na senda do mestre, de Jesus de Nazaré, o Libertador!

Irmandade do Anel de Tucum – julho de 2021

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